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Dia de sol

Ele veio meio assim daquele jeito mesmo que ele é. Tranqüilo. Largado. Nas nuvens. Com um propósito. O resto era lucro ou consequência. A cidade era barulhenta já de cara. Muito trânsito, muita gente, muito calor. E cansaço pra dar e vender. Pena que ficou só pra ele. Pensava no sono que teria à noite quando chegasse à casa que não era sua. Uma cama, um sofá ou colchão. Um canto pra descansar e se preparar para o próximo dia de céu azul e ventania. Depois da estrada, alguns setenta minutos, um banho gelado, televisão e sono pesado. No outro dia, pastel, garapa, frutas, muita água. Uma hora de ônibus, rodoviária, compra de passagem para domingo voltar pra casa. A chegada do amigo. Ônibus de novo. Parada. Construções antigas. Beleza. Fotos. Almoço sem carne. Sorrisos. Risadas. A busca dos convites para o show. Decisão. Metrô. Dezessete minutos. Praia. Vento, muito vento, cabelos ao vento. Exposição ao sol. Maresia. Sal. Mar. Pôr do sol. Volta engarrafada. Cansaço. Suor. Banho. Ônibus. Show. Música. Um circo. Voador. Táxi. Cama. Despertador. Desjejum. Suco, pão, frutas, queijo. Despedida. Sessenta minutos. Viagem. Manhã. Tarde. Noite. Sonhos. Lembranças. Retorno. Chegada.


A ficha caiu

Eu ainda não me acostumei a ver artistas pelas ruas do Rio de Janeiro. Será que vou me acostumar? Claro que moro um pouco longe dessa realidade cotidiana. Mas, sempre quando vou a algum evento cultural no centro ou principalmente na zona sul, eu praticamente me esbarro em celebridades. É verdade, que até hoje não vi meus ídolos assim, frente a frente. Mas, vi pessoas ilustres que admiro muito.

A primeira pessoa que vi foi o baterista do Titãs, Charles Gavin. Isso aconteceu há oito, sete anos lá na Casa Rui Barbosa. Estava com meu amigo Antônio, que na época era contador da Petrobrás. Passamos por Gavin. E eu, totalmente alheia a essa costumeira situação carioca, pensei que era alguém conhecido e praticamente cumprimentei com o aceno da cabeça seguido de um sorriso. Logo depois, a ficha caiu. Era um artista!

Eu o conhecia bastante, é claro! O baterista do Titãs! Quem não conhecia? Cansei de vê-lo em programas de TV, nos encartes dos discos. Éramos como antigos conhecidos! É engraçado pensar nisso. No dia do acontecido foi hilário! Depois voltei ao Rio algumas vezes, mas vi apenas atores coadjuvantes que nem me lembrava os nomes. Na praia, isso é muito comum. Afinal, todos têm direito a aproveitar o sol, o mar, a maresia.

Em janeiro desse ano, fui ao teatro SESI assistir à peça “Simplesmente eu, Clarice Lispector” com Beth Goulart. Depois o espetáculo, havia uma exposição de alguns livros de Clarice que estavam à venda. Fui dar uma olhada. De repente, percebi que ao meu lado estava Letícia Sabatella. Ela havia feito um papel marcante na última novela, a Ivone. Eu levei um susto, mas tentei agir normalmente. Apenas a cumprimentei com um sorriso e um “boa noite”.

Realmente, minhas reações são estranhas. Fico extremamente tímida. Naquela noite, queria muito conversar com Beth Goulart, mas tive que ir embora porque já era tarde. Mas, no passeio “O Rio de Clarice”, tive outra oportunidade. Mas, nada fiz. Apenas fiquei observando sua entrevista, seus comentários. Admirando. Apenas. Preferi ficar com o encanto da Clarice que vi outro dia. Acho que foi isso.

Eu me lembrei agora de uma única ousadia. Conheci Simone Spoladore em um debate sobre o filme “Elvis e Madona”. Consegui, pela primeira vez, falar sobre minha admiração por seu trabalho; desde Maria Monforte na minissérie Os Maias. Já com a cantora Simone, não tive o mesmo sucesso, como já disse no último texto. Mas, é linda mesmo, sua interpretação da música Gota d’água.

 


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