O movimento eleva a alma

Ainda com a emoção pós festival, aproveito para compartilhar com vocês a Oração da Dança, escrita por Santo Agostinho. O texto exemplifica o que citei no post do dia 15/12, Dança para que te quero, sobre a dança na vida do ser humano.

 

Oração da Dança

Eu Louvo a Dança,
pois ela liberta as pessoas das coisas,
unindo os dispersos em comunidade.
Eu louvo a Dança
que requer muito empenho, Continue lendo

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Dança pra que te quero!

A dança sempre energizou a minha vida. E melhor do que fazer aulas, é dançar em cima de um palco. É um momento único. Dizem que quando dançamos conseguimos entrar em contato com o nosso verdadeiro eu.

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Dia de sol

Ele veio meio assim daquele jeito mesmo que ele é. Tranqüilo. Largado. Nas nuvens. Com um propósito. O resto era lucro ou consequência. A cidade era barulhenta já de cara. Muito trânsito, muita gente, muito calor. E cansaço pra dar e vender. Pena que ficou só pra ele. Pensava no sono que teria à noite quando chegasse à casa que não era sua. Uma cama, um sofá ou colchão. Um canto pra descansar e se preparar para o próximo dia de céu azul e ventania. Depois da estrada, alguns setenta minutos, um banho gelado, televisão e sono pesado. No outro dia, pastel, garapa, frutas, muita água. Uma hora de ônibus, rodoviária, compra de passagem para domingo voltar pra casa. A chegada do amigo. Ônibus de novo. Parada. Construções antigas. Beleza. Fotos. Almoço sem carne. Sorrisos. Risadas. A busca dos convites para o show. Decisão. Metrô. Dezessete minutos. Praia. Vento, muito vento, cabelos ao vento. Exposição ao sol. Maresia. Sal. Mar. Pôr do sol. Volta engarrafada. Cansaço. Suor. Banho. Ônibus. Show. Música. Um circo. Voador. Táxi. Cama. Despertador. Desjejum. Suco, pão, frutas, queijo. Despedida. Sessenta minutos. Viagem. Manhã. Tarde. Noite. Sonhos. Lembranças. Retorno. Chegada.


A ficha caiu

Eu ainda não me acostumei a ver artistas pelas ruas do Rio de Janeiro. Será que vou me acostumar? Claro que moro um pouco longe dessa realidade cotidiana. Mas, sempre quando vou a algum evento cultural no centro ou principalmente na zona sul, eu praticamente me esbarro em celebridades. É verdade, que até hoje não vi meus ídolos assim, frente a frente. Mas, vi pessoas ilustres que admiro muito.

A primeira pessoa que vi foi o baterista do Titãs, Charles Gavin. Isso aconteceu há oito, sete anos lá na Casa Rui Barbosa. Estava com meu amigo Antônio, que na época era contador da Petrobrás. Passamos por Gavin. E eu, totalmente alheia a essa costumeira situação carioca, pensei que era alguém conhecido e praticamente cumprimentei com o aceno da cabeça seguido de um sorriso. Logo depois, a ficha caiu. Era um artista!

Eu o conhecia bastante, é claro! O baterista do Titãs! Quem não conhecia? Cansei de vê-lo em programas de TV, nos encartes dos discos. Éramos como antigos conhecidos! É engraçado pensar nisso. No dia do acontecido foi hilário! Depois voltei ao Rio algumas vezes, mas vi apenas atores coadjuvantes que nem me lembrava os nomes. Na praia, isso é muito comum. Afinal, todos têm direito a aproveitar o sol, o mar, a maresia.

Em janeiro desse ano, fui ao teatro SESI assistir à peça “Simplesmente eu, Clarice Lispector” com Beth Goulart. Depois o espetáculo, havia uma exposição de alguns livros de Clarice que estavam à venda. Fui dar uma olhada. De repente, percebi que ao meu lado estava Letícia Sabatella. Ela havia feito um papel marcante na última novela, a Ivone. Eu levei um susto, mas tentei agir normalmente. Apenas a cumprimentei com um sorriso e um “boa noite”.

Realmente, minhas reações são estranhas. Fico extremamente tímida. Naquela noite, queria muito conversar com Beth Goulart, mas tive que ir embora porque já era tarde. Mas, no passeio “O Rio de Clarice”, tive outra oportunidade. Mas, nada fiz. Apenas fiquei observando sua entrevista, seus comentários. Admirando. Apenas. Preferi ficar com o encanto da Clarice que vi outro dia. Acho que foi isso.

Eu me lembrei agora de uma única ousadia. Conheci Simone Spoladore em um debate sobre o filme “Elvis e Madona”. Consegui, pela primeira vez, falar sobre minha admiração por seu trabalho; desde Maria Monforte na minissérie Os Maias. Já com a cantora Simone, não tive o mesmo sucesso, como já disse no último texto. Mas, é linda mesmo, sua interpretação da música Gota d’água.

 


Gota d’água

Havia algumas pessoas no ônibus, ainda bem que pude sentar no percurso de uns trinta e sete minutos. Queria descer no ponto da Candelária, perto do CCBB. Estava sentada, um cara deu o sinal, continuei sentada, pensando que ele iria saltar no mesmo ponto que eu. Para minha surpresa, repentina frustração, indignação e raiva duradouras, o motorista passou direto. Desci no mergulhão. Ai, ai, ainda bem que outro dia, descobri que a Rua da Assembléia é logo ali. Ótimo, caminhei, ainda com raiva, pela praça, ouvi uma fanfarra e não pude parar pra entender o que estava acontecendo. Hoje, no noticiário, fiquei sabendo que era o encontro internacional de palhaços.

Continuei andando, já rindo da situação. Tinha que ir ao banco, o tempo era curto, quase corria. Se tivesse algum dinheiro no bolso, pegava o próximo ônibus ali mesmo, naquela altura da Avenida Rio Branco. Mas, cinco centavos não dão pra nada a não ser completar algum valor. Então, fui ao banco, depois corri para o ponto de ônibus próximo ao número 100 da avenida. Muitas pessoas. Vi um dos ônibus da minha lista, passar no meio da rua. Depois, o da outra linha. Estava no ponto errado. Corri para o ponto mais próximo. Quando o 170 se aproximou, dei sinal, ele deu seta, mas não encostava, então um cara do meu lado disse “ele para no outro ponto”. Outra corrida.

Tanta pressa pra ficar parada no trânsito. No mínimo vinte minutos do Theatro Municipal até a região da Lapa. Mais uma hora e dez pra chegar ao meu destino, o shopping da Gávea. Consegui os ingressos para assistir à peça “O Matador de Santas” no Teatro Clara Nunes. Respirei aliviada. Começou a minha espera por Janaína. Conversei com minha mãe pelo telefone. Parei na loja de discos da Biscoito Fino. Fiquei por ali, conversando com o vendedor sobre Bethânia. Ouvi Djavan. Ouvi Waly Salomão por Bethânia. Olho de Lince. Lindo! Noite inspirada. Pensava no ar puro do Jardim Botânico. Naquela paz.

Quando a Janaína chegou, fizemos um rápido lanche, fomos ao banheiro e subimos para o teatro. Vi pela primeira vez a cantora Simone bem de perto. E ainda sentou na fileira à nossa frente. O espetáculo foi engraçado, forte, marcante. Bom demais da conta! Saímos do teatro, do shopping e fomos comer algo. Voltamos de ônibus. Dois. O primeiro, até a Central. O segundo até em casa. Dormi a metade do caminho. Normal. Um dia perfeito. Poderia ter falado à Simone que, em minha opinião, sua melhor interpretação é a música “Gota d´água” de Chico Buarque de Hollanda. Mas, não tive coragem. Depois escrevo sobre essa minha enorme timidez diante de artistas.


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