Gota d’água

Havia algumas pessoas no ônibus, ainda bem que pude sentar no percurso de uns trinta e sete minutos. Queria descer no ponto da Candelária, perto do CCBB. Estava sentada, um cara deu o sinal, continuei sentada, pensando que ele iria saltar no mesmo ponto que eu. Para minha surpresa, repentina frustração, indignação e raiva duradouras, o motorista passou direto. Desci no mergulhão. Ai, ai, ainda bem que outro dia, descobri que a Rua da Assembléia é logo ali. Ótimo, caminhei, ainda com raiva, pela praça, ouvi uma fanfarra e não pude parar pra entender o que estava acontecendo. Hoje, no noticiário, fiquei sabendo que era o encontro internacional de palhaços.

Continuei andando, já rindo da situação. Tinha que ir ao banco, o tempo era curto, quase corria. Se tivesse algum dinheiro no bolso, pegava o próximo ônibus ali mesmo, naquela altura da Avenida Rio Branco. Mas, cinco centavos não dão pra nada a não ser completar algum valor. Então, fui ao banco, depois corri para o ponto de ônibus próximo ao número 100 da avenida. Muitas pessoas. Vi um dos ônibus da minha lista, passar no meio da rua. Depois, o da outra linha. Estava no ponto errado. Corri para o ponto mais próximo. Quando o 170 se aproximou, dei sinal, ele deu seta, mas não encostava, então um cara do meu lado disse “ele para no outro ponto”. Outra corrida.

Tanta pressa pra ficar parada no trânsito. No mínimo vinte minutos do Theatro Municipal até a região da Lapa. Mais uma hora e dez pra chegar ao meu destino, o shopping da Gávea. Consegui os ingressos para assistir à peça “O Matador de Santas” no Teatro Clara Nunes. Respirei aliviada. Começou a minha espera por Janaína. Conversei com minha mãe pelo telefone. Parei na loja de discos da Biscoito Fino. Fiquei por ali, conversando com o vendedor sobre Bethânia. Ouvi Djavan. Ouvi Waly Salomão por Bethânia. Olho de Lince. Lindo! Noite inspirada. Pensava no ar puro do Jardim Botânico. Naquela paz.

Quando a Janaína chegou, fizemos um rápido lanche, fomos ao banheiro e subimos para o teatro. Vi pela primeira vez a cantora Simone bem de perto. E ainda sentou na fileira à nossa frente. O espetáculo foi engraçado, forte, marcante. Bom demais da conta! Saímos do teatro, do shopping e fomos comer algo. Voltamos de ônibus. Dois. O primeiro, até a Central. O segundo até em casa. Dormi a metade do caminho. Normal. Um dia perfeito. Poderia ter falado à Simone que, em minha opinião, sua melhor interpretação é a música “Gota d´água” de Chico Buarque de Hollanda. Mas, não tive coragem. Depois escrevo sobre essa minha enorme timidez diante de artistas.

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Sobre Geisa Mara de Castro


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